Adaptado de mensaje de José A. Frías recibida por e-mail
28 de dez. de 2010
Programa de Doctorado en Información y Documentación de la USAL
17 de dez. de 2010
“A contribuição do Projeto Interpares 3" - Palestra de Claudia Lacombe
Por Rosamaria Mello
No dia 09/11/2010, durante a Semana do Arquivista da Universidade de Brasília, Claudia Carvalho Masset Lacombe Rocha (Arquivo Nacional) abordou “A contribuição do Projeto Interpares 3" (International Research on Permanent Authentic Records on Electronic Systems) no tratamento de documentos digitais”.
O projeto Interpares está na sua terceira edição e é liderado por Luciana Duranti, grande autora na área de diplomática e tipologia documental. Em resumo, o projeto é uma contribuição de diversos países com pesquisa e produção acadêmica, em busca de soluções para a nova realidade: como lidar com documentos arquivísticos digitais?
O projeto Interpares está na sua terceira edição e é liderado por Luciana Duranti, grande autora na área de diplomática e tipologia documental. Em resumo, o projeto é uma contribuição de diversos países com pesquisa e produção acadêmica, em busca de soluções para a nova realidade: como lidar com documentos arquivísticos digitais?
O embrião do projeto foi The preservation of integrity of electronic record, durou de 1994 a 1997, na University of British Columbia (Vancouver – Canadá), dentro de um programa de mestrado em Estudos Arquivísticos, coordenado por Luciana Duranti. Deste projeto surgiram relatórios e artigos que serviram de base para o desenvolvimento das versões posteriores do projeto, que terminou apresentando requisitos de como produzir/manter um arquivo digital, baseando-se em conceitos da diplomática . Já em sua terceira edição, o projeto conta com equipes de diversos países, que realizam estudos de casos na busca do desenvolvimento de soluções seguras e adaptação da arquivística à era digital.
Um dos focos do projeto é apoiar a presunção (segundo Cláudia, nunca haverá 100% de certeza) de autenticidade de documentos digitais. Uma das maneiras é o controle de metadados e evidências (Benchmarcking Requirements) sobre controles procedimentais de produção, utilização e manutenção dos documentos arquivísticos e citou como exemplo, a aplicação da resolução número 24 do Conarq.
Também há uma busca por estabelecer e observar requisitos para apoiar a produção de cópias autênticas de documentos digitais (Baseline Requirements), que permitam condições mínimas para que o preservador possa garantir a autenticidade a longo prazo destas cópias arquivísticas. Aqui inclui também apoiar o desenvolvimento de Políticas, Normas e Estratégias que garatam essa preservação. Alguns exemplos ERA (Programa de Documentos Digitais do Arquivo Nacional dos Estados Unidos), RODA (Programa de Documentos Digitais do Arquivo Nacional de Portugal), AN Digital e e-ARQ Brasil.
Os principais pontos dos quais o projeto se ocupa é focar a autenticidade, garantindo a autenticidade quando o documento é transmitido, diferenciando autentificação e manutenção de autenticidade.
Analisando diplomaticamente um documento deve:
* Ter forma física e conteúdo estável
* Participar/apoiar uma ação
*Ter vínculos explícitos com os demais documentos produzidos pela instituição, dentro ou fora do sistema informatizado (organicidade)
* Possuir pelo menos três pessoas envolvidas na ação (autor, destinatário e redator)
*Ser interpretado por meio de contextos identificáveis: jurídico-administrativo, de proveniência, procedimentos documentais e tecnológicos.
Se os documentos quebram esses requisitos, eles podem não ser considerados arquivísticos. Segundo Luciana Duranti, este é o conceito de “documento potencial” (Cláudia relatou que muitas pessoas tiveram dificuldade de entender esse conceito no começo do projeto). Em resumo, é um documento gerado com intenção de provar uma certa atividade, mas não obedece à primeira/terceira regra acima. Essas duas são obrigatórias para o documento ser considerado arquivístico.
Outros conceitos tratados pela palestrante diz respeito à forma dos documentos. Documentos manifestados são documentos em suporte físico e derivam outros documentos, enquanto documentos armazenados é a forma pela qual são conhecidos aqueles documentos encontrados em forma digital.
Outros conceitos tratados pela palestrante diz respeito à forma dos documentos. Documentos manifestados são documentos em suporte físico e derivam outros documentos, enquanto documentos armazenados é a forma pela qual são conhecidos aqueles documentos encontrados em forma digital.
Claudia esclareceu que o projeto InterPARES trabalha com bases de dados (dicionário, glossários, ontologias) de terminologias para apoiar a comunicação interdisciplinar entre os pesquisadores, que nem sempre pertencem a arquivologia e áreas afins. Em rápido acesso ao site mostrou o glossário (em inglês) que utilizam e afirmou que um novo está sendo providenciado em português.
Cláudia foi questionada a respeito de ICP e assinatura digital. Afirmou que esta é importante no processo de envio de um documento entre duas instituições, mas como a assinatura tem uma validade, assim que o documento chega ao repositório ela é retirada. Claudia afirma que até agora, a melhor alternativa são os repositórios confiáveis - devidamente certificados. Ressaltou que ainda não existe uma solução definitiva, mas podemos apoiar o desenvolvimento de mais pesquisas para enriquecer a área.
Atualmente existem 8 pesquisas do projeto InterPARES sendo desenvolvidas no Brasil, a maioria em São Paulo. O site está em processo de tradução e em pouco tempo estará em português. Acessem no link abaixo.
Site do Projeto InterPARES
Entrevista com Luciana Duranti sobre o Projeto InterPARES
Cláudia foi questionada a respeito de ICP e assinatura digital. Afirmou que esta é importante no processo de envio de um documento entre duas instituições, mas como a assinatura tem uma validade, assim que o documento chega ao repositório ela é retirada. Claudia afirma que até agora, a melhor alternativa são os repositórios confiáveis - devidamente certificados. Ressaltou que ainda não existe uma solução definitiva, mas podemos apoiar o desenvolvimento de mais pesquisas para enriquecer a área.
Atualmente existem 8 pesquisas do projeto InterPARES sendo desenvolvidas no Brasil, a maioria em São Paulo. O site está em processo de tradução e em pouco tempo estará em português. Acessem no link abaixo.
Site do Projeto InterPARES
Entrevista com Luciana Duranti sobre o Projeto InterPARES
13 de dez. de 2010
Ciclo de Palestras ABARQ
A Associação Brasilenese de Arquivologia promoverá no dia 14 de dezembro de 2010 um evento no qual serão apresentados alguns trabalhos dos profissionais que atuam nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. O evento será realizado no auditório do CEAM da Universidade de Brasília com apresentações em dois momentos, manhã e tarde.
"Atuações arquivísticas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário"
Dia 14 de dezembro de 2010 – 9:00 às 18:00 h.
Local: Auditório do CEAM, da Universidade de Brasília
Promoção: Associação Brasiliense de Arquivologia – Abarq
Apoio:
- FCI/Curso de Arquivologia – UnB
- Centro de Documentação - UnB
- Ikhon Tecnologia
Programa
8h30 às 9h00: Inscrição e entrega de material
9h00 às 9h30: Abertura do Evento
- Profa. Dra. Elmira Simeão - Diretora da Faculdade de Ciência da Informação - UnB
- Profa. Dra. Darcilene Rezende - Coordenadora do curso de Arquivologia - UnB
- Tania Maria de Moura Pereira - Diretora do Centro de Documentação - UnB
- Katia Isabelli Melo de Souza - Presidente da Associação Brasiliense de Arquivologia
9h30 às 12h00: Plenária - Atuações arquivísticas nos Poderes Executivo e Legislativo
- Coordenação: Kátia Isabelli Melo de Souza
- Usabilidade e Design Emocional na Gestão Arquivística de Documentos - Profa. Dra. Ivette Kafure - Curso de Arquivologia – UnB
- O Centro de Documentação da UnB: resultados e perspectivas - Tania Maria de Moura Pereira
- Políticas Públicas de arquivo no âmbito do Poder Legislativo Federal: verificação da existência de uma política - Kathyanne Samara Paulino Vasconcelos, Rodrigo Gonçalves Calazans, Thais Guidolini de Lima - Alunos do Curso de Arquivologia UnB
12h00 às 14h00: Almoço
14h00 às 17h30: Plenária - Atuações Arquivísticas nos Poder Judiciário
- Coordenação: Vanderlei Batista dos Santos
- O Papel Estratégico da Gestão Documental - Ana Rosa Sá Barreto -Coordenadora de Gestão Documental - Tribunal Superior do Trabalho
- Projeto de Revitalização e Modernização dos Arquivos Médicos - Vania Franco / Ministério da Saúde
- Além do que se vê: uso e “pós-uso” da informação orgânica arquivística - Rodrigo Fortes de Ávila- Aluno de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação UnB
- As atividades do profissional de Arquivologia nas entidades nacionais do sistema indústria frente às tendências no mercado de trabalho na área de tecnologia - Ana Suely / CNI
- Agenda histórica 2011 - Marcelo Durães e Edenise de Sousa / Arquivo Produções
Faça sua inscrição por email: abarq.arquivologia@gmail.com
- Estudantes - R$ 10,00
- Profissionais - R$ 20,00
- Associados da Abarq - Gratuito
9 de dez. de 2010
2º SIMTA
2º Seminário Internacional o Mundo dos Trabalhadores e seus Arquivos – Memória e Resistência
O Seminário visa realizar debates sobre os documentos reunidos pelos arquivos operários, rurais, sindicais e populares, bem como sobre as particularidades que envolvem o tratamento desses acervos, constituindo-se em um fórum privilegiado para a transferência de informações e o incentivo à recuperação e à preservação dos arquivos dos trabalhadores e suas organizações. O evento, já em sua segunda edição, contará com a participação de conferencistas e especialistas nacionais e internacionais que debaterão, a partir de diversas perspectivas disciplinares, temas de interesse no âmbito dos arquivos dos trabalhadores da cidade e do campo. Esses arquivos têm relevância por também preservarem documentos de grande importância para o conhecimento das formas de resistência ao regime militar brasileiro e para o processo de redemocratização e construção da história recente do país.
Público: Profissionais com atuação nos âmbitos dos arquivos e centros de documentação operários, rurais, sindicais e dos movimentos sociais. Dirigentes e militantes sindicais e populares. Profissionais de arquivos públicos e privados que mantêm sob sua guarda acervos de organizações dos trabalhadores da cidade e do campo. Arquivistas, historiadores, documentalistas, bibliotecários e estudantes interessados na temática.
Promoção: Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Arquivo Nacional do Brasil
Comissão Organizadora: Formada por algumas das principais entidades que atuam na organização, pesquisa e preservação de acervos dos trabalhadores rurais e urbanos.
· Arquivo de Memória Operária do Rio de Janeiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro
· Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT
· Centro de Documentação e Memória da UNESP
· Memorial da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul
· Centro de Referências das Lutas Políticas no Brasil (1964 - 1985) - Memórias Reveladas
· Núcleo de Documentação dos Movimentos Sociais da Universidade Federal de Pernambuco
· Núcleo de Pesquisa, Documentação e Referências sobre Movimentos Sociais e Políticas Públicas no Campo da UFRRJ
Local: Arquivo Nacional – Praça da República, 173 - Rio de Janeiro – RJ
Período: 30 e 31 de março e 1º de abril de 2011
Informações: Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT
Telefones: (11) 2108-9247 e (11) 2108-9213 - E-mail: cedoc@cut.org.br
São Paulo/Rio de Janeiro, 30 de novembro de 2010.
Acesse aqui o material da 1ª edição do evento, em 2008
25 de nov. de 2010
Grupo EPARQ - anotações de Anna Szlejcher e José Maria Jardim
Caros coleg@s,
Com muito prazer difundo “O diálogo, "puxado" pelo Jardim, está ficando muito interessante. Concordo com ele em vários pontos..."
Cynthia Roncaglio
Intercambio de opiniones em grupoeparq com respeito:
A institucionalização da Arquivologia como campo científico.
Expreso una vez más mi admiración y mi compromiso con la posición científica de mi querido colega y amigo José Maria con respecto a la autonomía de la Archivología y destaco la claridad conceptual con la cual expresa su perspectiva epistemológica. Coincido y celebro la utilización del término ARQUIVOLOGIA (en español ARCHIVOLOGÍA) en lugar de Archivística para denominar a nuestra Ciencia o Disciplina.
“Sem perda das possibilidades de interlocução outros campos, não creio que o debate científico tenha que se organizar sob o manto epistemológico ou políticoinstitucional da Ciência da Informação, da História ou da Administração. A vocação para “ciência auxiliar” da História ou da Administração, ainda não completamente superada, seria agora substituída por uma Arquivologia auto-colonizada com recursos político-institucionais da Ciência da Informação? “
“Autonomia disciplinar nada tem a ver com insulamento até porque a Arquivologia é, desde o século XIX, marcadamente multidisciplinar e interdisciplinar.”
“..a Arquivologia estará fadada a uma condição periférica e de pouca visibilidade como campo científico, se a formação dos arquivistas não contar com a pós stricto sensu no próprio campo.”
“Supondo que a reversão dessa situação seja um projeto do campo arquivístico brasileiro, qual a pauta que se coloca? No mínimo, mais doutores no campo da Arquivologia. Isso significa mais profissionais pesquisando, difundindo conhecimento arquivístico e ocupando espaço nas estruturas de C & T.“Isso requer um trabalho árduo em termos de pesquisa e publicação, mas também político.”
José Maria Jardim
Um abraço,
Anna Szlejcher
*********
A continuación texto completo de José María Jardim.
Date: Fri, 19 Nov 2010 11:48:58 -0200
Subject: [grupoeparq] A institucionalização da Arquivologia como campo científico
From: jardimbr@gmail.com
Prezada Rosa e demais colegas,
Vivemos um momento especial para a Arquivologia no Brasil que sugere aos seus docentes e pesquisadores um esforço de institucionalização do campo como espaço científico. Ao meu ver, isso significa um investimento político e científico em mecanismos de institucionalização da Arquivologia mediante mecanismos tais como a Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, a busca pela pósgraduação strictu sensu na área e uma Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia.
Sem perda das possibilidades de interlocução outros campos, não creio que o debate científico na Arquivologia tenha que se organizar sob o manto epistemológico ou político-institucional da Ciência da Informação, da História ou da Administração. A vocação para “ciência auxiliar” da História ou da Administração, ainda não completamente superada, seria agora substituída por uma Arquivologia autocolonizada com recursos político-institucionais da Ciência da Informação?
Como pesquisador e professor de Arquivologia, ensino, pesquiso e difundo trabalhos na Ciência da Informação, mas não apenas na Ciência da Informação. Tenho mestrado e doutorado em Ciência da Informação porque reconheço diálogos possíveis e ricos entre esse campo e a Arquivologia, mas não pratico ou ensino Arquivologia como campo de aplicação da Ciência da Informação. Entre as ricas possibilidades de interlocução coma a Ciência da Informação e a subordinação da Arquivologia como sub-campo da CI há, no entanto, uma longa distância. Penso que um GT de Arquivologia no Enancib, apesar da importância desse evento, tende a consolidar ainda mais a visão - e talvez o projeto - da Arquivologia como sub-campo da Ciência da Informação. Autonomia disciplinar nada tem a ver com insulamento até porque a Arquivologia é, desde o século XIX, marcadamente multidisciplinar e interdisciplinar.
A esse respeito, retomo algumas considerações que partilhei com colegas no III Congresso Nacional de Arquivologia em 2008. Em anexo, envio a minha comunicação a respeito na I Reunião de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, realizada em junho deste ano, na Universidade de Brasília, cujos anais encontram-se em vias de publicação pelos colegas da Unb.
A perspectiva interdisciplinar da Arquivologia- para mim, muito clara - não é plenamente consolidada. Trata-se de uma vertente em construção que acolhe profissionais que dela partilham, tanto quanto é objeto de discordância de outros. Esse, aliás, é um dos embates do campo, expresso em três visões:
- a visão da Arquivologia com um campo autônomo, com bases consolidadas e, de certa forma, ciência auxiliar da História
- a visão da Arquivologia como uma disciplina que constitui uma sub-área da CI (uma visão que ganha espaço especialmente no Brasil, sem sequer maior veiculação internacional ou respaldo consistente na produção cientifica)
- a visão de Arquivologia com uma disciplina científica em permanente construção, dotada de autonomia, porém exercida (ou potencialmente) exercida em diversos aspectos mediante relações interdisciplinares com a História, a Administração, a Ciência da Informação, a Biblioteconomia, a Museologia, a Sociologia, etc. Essa é hoje a minha perspectiva.
Por que temos discutido tanto as relações interdisciplinares entre Arquivologia e Ciência da Informação no Brasil?
- A perspectiva interdisciplinar na produção de conhecimento é uma questão fortemente presente nas agendas de políticas de pesquisa, educação e inovação na contemporaneidade.
- A discussão da interdisciplinaridade da Arquivologia ganha proporções nos anos 90, num momento em que efetivamente o saber e o fazer arquivísticos se defrontam com novas possibilidades e desafios que impoem a interlocução com outras áreas. Um exemplo: os princípios da representação da informação, no cerne da C.I., são extremamente interessantes para refletirmos sobre a a descrição arquivística.
- Conforme o trabalho que desenvolvi inicialmente com a Profa. Odila Fonseca, posteriormente o livro da Profa. Odila e outros trabalhos da Profa. Georgete Medleg, essas interfaces que envolvem Arquivologia e CI ainda são muito tênues e escassas, nos dois campos.
- Por outro lado, cabe lembrar que muitas vezes a interdisciplinaridade é uma retórica sedutora que nem sempre se plasma em processos concretos envolvendo dois ou mais campos do conhecimento. O princípio da interdisciplinaridade é muito convidativo, mas o fazer interdisciplinar é extremamente complexo e sofisticado. No caso da Arquivologia e da CI, parece que falamos mais dessas possibilidades interdisciplinares do que efetivamente as praticamos. Efetivamente, essas relações ainda estão longe de serem “estreitas”.
Há indicadores que sugerem ser este debate muito freqüente no Brasil, especialmente no que se refere à interdisciplinaridade Arquivologia e CI. Nos países com maiores teores de produção de conhecimento em Arquivologia, esse não é um debate muito presente. Isso não legitima e nem desqualifica o debate que se trava aqui, evidentemente. No entanto, sabemos que em nenhum desses países os cientistas da informação, através de suas organizações, reivindicam a Arquivologia como sub-área da CI. E nem tampouco os pesquisadores e profissionais de Arquivologia o fazem em direção à Ciência da Informação.
Ideias mais freqüentes, presentes no caso brasileiro
- A Arquivologia é uma modalidade pragmática ou universo de aplicação de área de conhecimento denominada da "Ciência da Informação".
Essa perspectiva reduz a Arquivologia a um campo de ampliação da CI, passando ao largo dos elementos teóricos da Arquivologia. Ainda que dispositivos teóricos da CI possam (e devam!) ser aplicados num universo empírico arquivístico, isso não equivale necessariamente a uma relação de subordinação entre Arquivologia e CI. Aliás, a literatura das duas áreas não aponta nessa direção, embora essa retórica tenha bastante espaço. - A Arquivologia, junto com a Biblioteconomia e a Museologia se constituem na base da Ciência da Informação.
Ao menos em relação à Arquivologia, basta analisar a história da área e também da CI para verificar que essa afirmação é inconsistente. - A discussão da autonomia da Arquivologia é incompatível com o imperativo da sua interdisciplinaridade.
Autonomia e relações interdisciplinares não são categorias excludentes. Um campo de conhecimento pode manter relações interdisciplinares com diversas outras áreas sem que sua autonomia seja diluída. Autonomia não significa insulamento. - As distinções entre Arquivologia e Biblioteconomia seriam artificiais, expressando a “síntese” de “ Sistemas (tecnológicos) da Informação”.
Todos os recortes no campo científicos são artificiais. Não são resultados “naturais”, mas derivam de embates, convergências, divergências, interpretações e vários fatores históricos. Ainda assim, o reconhecimento de que as informações que são objeto da Arquivologia não são as mesmas que são objeto da Biblioteconomia e da CI, parecem fazer sentido. Isso não impede-nos de reconhecermos, em vários temas, zonas de convergência e uma agenda comum de interesses de investigação. Operar com essas possibilidades não significa reduzir as especificidades de um ou mais campos do conhecimento. - A Biblioteconomia e a Arquivística mantêm estreitas relações, no Brasil, por serem ofertadas por Departamentos de Ciência da Informação. Claro que o convívio de profissionais desses campos num mesmo recorte institucional como um Departamento de Ensino pode propiciar um ambiente favorável a relações entre as duas disciplinas, mas isso não é, por si só, um condicionante. O fundamental, porém, são as interlocuções na pesquisa, no ensino, no reconhecimento de singularidades e especificidades nos diálogos entre esses campos.
- Há um número considerável de dissertações e teses produzidas nos programas de pós-graduação em Ciência da Informação, com temáticas voltadas ou pelo menos relacionadas à Arquivística.
A ausência de um programa de Mestrado e Doutorado em Arquivologia levou, nos últimos 15 anos, a uma procura, por parte dos arquivistas, a programas de pós em CI. Essa demanda, em menor escala, também levou profissionais do campo arquivístico a pós-graduação em História, Administração, Educação, Engenharia de Produção etc. Em nenhum desses casos, essa procura derivou de sinais evidentes de uma perspectiva interdisciplinar na por parte desses programas. No caso da CI, só muito recentemente, ainda timidamente, alguns programas de pósgraduação incluem disciplinas sobre informação arquivística. Até hoje , salvo engano, não exista nenhum programa de pós em CI com uma linha de pesquisa voltada para a Arquivologia.
Perversamente, quanto mais a Arquivologia cresce academicamente no interior das instâncias institucionais da Ciência da Informação ou outras áreas, mais alimenta a CI e as demais áreas e torna invisível a Arquivologia no quadro das políticas públicas de C&T. Isso não significa evidentemente que, ao ampliarmos a oferta de pós stricto sensu em Arquivologia, nossos alunos sejam desestimulados a procurarem a pósgraduação na CI ou outros campos. A Arquivologia precisa, sim, de Mestres e Doutores em outras áreas porque é um campo interdisciplinar. No entanto, a Arquivologia estará fadada a uma condição periférica e de pouca visibilidade como campo científico, se a formação dos arquivistas não contar com a pós stricto sensu no próprio campo. Da mesma forma, se estimular uma cultura de pesquisa via outras instâncias político-acadêmicas sem criarmos e fortalecermos as nossas.
Supondo que a reversão dessa situação seja um projeto do campo arquivístico brasileiro, qual a pauta que se coloca? No mínimo, mais doutores no campo da Arquivologia. Isso significa mais profissionais pesquisando, difundindo conhecimento arquivístico e ocupando espaço nas estruturas de C & T. Isso requer um trabalho árduo em termos de pesquisa e publicação, mas também político. È mais do que necessário uma Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, a pós-graduação stricto sensu área e as reuniões anuais de pesquisa. Estamos trabalhando para isso, especialmente após a Reunião de Brasília. Todo esse esforço poderá, inclusive, reforçar diálogos mais profícuos da Arquivologia com outros campos de conhecimento, inclusive a Ciência da Informação.
Um abraço,
José Maria
*********
Em 18 de novembro de 2010 15:41, Rosa Zuleide Lima da Silva Silva
Prezados colegas
Participo desde 2008 do ENANCIB acho de extrema importância esse reconhecimento e defendo o ENANCIB como um espaço para que as pesquisas em arquivologia sejam apresentadas e divulgadas, uma vez que a maioria dos cursos de graduação de arquivologia estão ligados aos departamentos de ciência da informação e os professores vinculados a pós graduação também em Ciência da Informação.
Penso que deveria ser criado um GT para arquivos. gestão e políticas de informação. Como ainda não conclui meu doutorado, não tenho cacife para propor isso no espaço da ANCIB. No entanto, sei que Isa Freire (atual presidente), é uma pessoa aberta as questões da arquivologia, até porque leciona no nosso curso de graduação e verá isso com bons olhos.
Penso que é um dos caminhos para que a área apareça e seja reconhecida institucionalmente.
Profa. Rosa Zuleide
DCI/UFPB
Reproduzido de anexo enviado por Anna Szlejcher
22 de nov. de 2010
Workshop Internacional em Ciência da Informação: interfaces de pesquisa
Auditório da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (FCI/UnB),
de 01 a 03 de dezembro de 2010
A edição 2010 do já tradicional evento anual do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (PPGCINF) visa discutir as diferentes interfaces da pesquisa em Ciência da Informação. Além dos temas clássicos, de interesse geral, o workshop terá sessões dedicadas ao debate das práticas e fundamentos dos grupos de pesquisa que compõem o PPGCINF integrados com renomados pesquisadores, nacionais e internacionais, no intuito de ampliar a discussão e de promover maior intercâmbio entre diferentes focos e abordagens da Ciência da Informação. O WICI tem como objetivo buscar promover o intercâmbio científico na área da Ciência da Informação, por meio de cooperação internacional, permitindo que professores e alunos da pós-graduação e outros segmentos da sociedade participem de discussões sobre o “estado da arte” dessa área.
Para maiores informações acesse o blog do evento clicando aqui.
21 de nov. de 2010
V Encuentro Ibérico EDICIC 2011
El V Encuentro Ibérico EDICIC 2011, promovido por el Grupo Regional Ibérico de EDICIC tendrá lugar en Badajoz (España), durante los días 17, 18 y 19 de noviembre de 2011.
Se admitirán comunicaciones presenciales y/o pósters relacionados con los siguientes bloques temáticos:
-Epistemología de la Ciencia de la Información.
-Perspectivas docentes.
-Perspectivas de investigación.
-Archivos y patrimonio documental.
-Formación y sociedad.
Desde hoy está abierto el plazo para el envío de propuestas e inscripciones.
Más información en: http://www.unex.es/eweb/edicic2011
O por e-mail para José Luis Herrera Morillas (jlhermor@alcazaba.unex.es) del Comité Organizador del V Encuentro Ibérico EDICIC 2011.
Adaptado de e-mail enviado por José Luis Herrera Morillas
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