O Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, instituição criada em 1567, esteve, por diversas vezes, em uma posição privilegiada junto aos órgãos aos quais era subordinado. Durante o período colonial e imperial acompanhou a Câmara Municipal em suas andanças por vários endereços, pois era a instituição responsável pela guarda e organização da documentação produzida pelo Conselho Municipal. Com a Proclamação da República e sua transferência para a recém-criada Prefeitura do Distrito Federal, foi alçada à condição de Diretoria, vinculado diretamente ao prefeito, condição que voltou a usufruir em 1919. Depois disso, sua trajetória foi descendente em termos de subordinação hierárquica. Este posicionamento na estrutura constituía um embargo para que a instituição desenvolvesse suas atividades, principalmente a partir da Lei nº 3.404, de 5 de junho de 2002, que dispôs que o Arquivo seria o gestor da Política Municipal de Arquivos e do Sistema de Memória da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Seguindo o caminho já trilhado pelo Arquivo Nacional e pelos Arquivos Públicos dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, pelo DECRETO Nº 36689, de1º de janeiro de 2013, passou a ser um órgão vinculado à Casa Civil da Prefeitura do Rio, fato que facilitará o diálogo com os demais órgãos municipais, possibilitando que exerça em plenitude as funções que lhe foram confiadas pela Lei 3.404.
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5 de abr. de 2013
27 de jul. de 2012
Arquivos e direitos humanos
Documentos essenciais para a compreensão da violação de direitos humanos no Uruguai estavam jogados em um fosso de elevador. Hoje encontram-se submetidos a tratamento técnico, sob a responsabilidade da arquivista
Liliana Gargiulo, em espaço cedido pelo Museu de Arte Pré-colombiana e Indígena (MAPI). Os resultados preliminares foram apresentados em uma reunião pública, com o objetivo de compartilhar informações.
Os documentos encontrados, segundo Liliana Gargiulo, são constituídos por cerca de 100 pacotes e 07 gavetas. Até o momento foram organizadas 10 caixas, com ações de conservação preventiva, como troca de embalagens e pastas. Também se iniciou a classificar as fichas de acordo com os departamentos produtores, agregando uma especificação sumária de dados para facilitar o processamento. O material estará disponível à pesquisa após o término dessa etapa de organização.
Mais notícias, fotos e vídeo sobre a reunião estão disponíveis na página da Presidência da República Oriental do Uruguai, aqui.
Adaptado de informação enviada por Liliana Gargiulo
Adaptado de informação enviada por Liliana Gargiulo
19 de jun. de 2012
Coloquio de Investigación de la Universidad Central de Venezuela
VI Coloquio de Investigación de la Escuela de Bibliotecología y Archivología
- 19, 20 y 21 de junio de 2012
- Lugar: Auditorio de la Facultad de Humanidades y Educación
- Homenaje a los ex directores de la Escuela de Bibliotecología y Archivología (EBA): Santos Rodulfo Cortés, Arabia Teresa Cova, Rafael Vélez+, María Magdalena Hernández, Luis Enrique Díaz, María Josefa Curiel+, Olga Oropeza de Ojeda, Álvaro Agudo, Neysa Guevara, Benjamín Sánchez.
14 de jun. de 2012
Programa profesional en Archivística en Colombia
La Escuela Interamericana de Bibliotecología, de la Universidad de Antioquia (Medellín, Colombia), se complace en comunicar que fue aprobado el programa profesional en Archivística e iniciará los trámites correspondientes para la expedición del registro calificado ante el Ministerio de Educación Nacional (véase nota acá). El programa, pionero en la formación exclusiva en archivística a nivel profesional, tendrá una duración de 8 semestres académicos, se ofrecerá de forma presencial en la ciudad de Medellín y expedirá el título de Archivista.
Este programa pretende atender las necesidades de formación que exige el medio en Colombia y atender los retos que imponen los procesos de transparencia, memoria colectiva y las disposiciones del orden estatal como la Ley General de Archivos (Ley 594 del 2000) Ley del Archivista (ley 1409 del 2010), Ley de Víctimas y Restitución de Tierras (Ley 1448 de 2011) entre otras.
La formación que ofrece éste programa estará caracterizada por un equilibrio entre la gestión documental, la administración de archivos y la sensibilidad por el patrimonio documental y el respeto por la memoria, apoyado en las herramientas que proporcionan las TIC y con un énfasis en la investigación tanto teórica como aplicada.
El proyecto resulta de intenso trabajo profesional de María Cristina Betancur Roldán, Marta Lucía Giraldo Lopera, Jaime Alberto Gómez Espinosa y Alexander Betancur Marín, docentes de la Tecnología en Archivística de la Escuela Interamericana de Bibliotecología durante el año 2011. Recientemente, el la 4ª Conferencia Internacional de Archivos (véase acá los Anales de la IV COINDEAR) em Chile, María Cristina Betancur presentó su artículo: Presentación del programa profesional en Archivística de la Universidad de Antioquia. Los retos de la formación en Colombia (véase acá el texto; véase acá la presentación; véase acá los Anales de la IV COINDEAR ).
Adaptado de información enviada por la profesora María Cristina Betancur
El proyecto resulta de intenso trabajo profesional de María Cristina Betancur Roldán, Marta Lucía Giraldo Lopera, Jaime Alberto Gómez Espinosa y Alexander Betancur Marín, docentes de la Tecnología en Archivística de la Escuela Interamericana de Bibliotecología durante el año 2011. Recientemente, el la 4ª Conferencia Internacional de Archivos (véase acá los Anales de la IV COINDEAR) em Chile, María Cristina Betancur presentó su artículo: Presentación del programa profesional en Archivística de la Universidad de Antioquia. Los retos de la formación en Colombia (véase acá el texto; véase acá la presentación; véase acá los Anales de la IV COINDEAR ).
Adaptado de información enviada por la profesora María Cristina Betancur
6 de dez. de 2011
Decisões da II REPARQ
Deliberações, recomendações e moções
Entre os dias 16 a 18 de novembro de 2011, reuniram-se na II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia (REPARQ), realizada Rio de Janeiro, docentes dos dezesseis cursos de graduação em Arquivologia do país, pesquisadores e demais profissionais do campo arquivístico, além de alunos de graduação e pós-graduação.
Realizada pela Escola da Arquivologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Curso de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense, a II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia foi patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do MCTI, Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do MEC, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e contou com os apoios da Fundação Casa de Rui Barbosa, Fundação Oswaldo Cruz, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro e Arquivistica.org.
Na Sessão de Encerramento da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia foram aprovadas as seguintes recomendações:
- Instalação do Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia com o objetivo de assegurar a criação e instalação da entidade nacional de ensino e pesquisa em Arquivologia e desenvolver ações que favoreçam o desenvolvimento do ensino e da pesquisa na área. Cumprido o objetivo de criação da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, o Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia será extinto;
- O Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, contará com a seguinte equipe de coordenação: Profa. Doutora, Angélica Marques(UNB), Prof. Dr. Daniel Flores (UFSM), Prof. Dr. José Maria Jardim (UNIRIO), Profa. Ms. Aurora Freixo (UFBA) e Dr. Paulo Elian dos Santos (COC-Fiocruz);
- A periodicidade da Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia será bianual;
- A III Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia ocorrerá ao final primeiro semestre de 2013 em Salvador, Bahia, promovida pelo Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia e o Curso de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia;
- As próximas Reuniões Brasileiras de Ensino e Pesquisa em Arquivologia deverão buscar os apoios das agências de fomento locais/regionais, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES);
- As próximas Reuniões Brasileiras de Ensino e Pesquisa em Arquivologia deverão contemplar as reflexões sobre Ensino e Pesquisa na Arquivologia, a divulgação de pesquisas com temática arquivística e as reuniões de coordenadores de cursos de Arquivologia;
- O Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia se reunirá em junho, no Rio de Janeiro, durante o XVII Congresso Brasileiro de Arquivologia, para discutir a proposta de documento-base para curso de pós-graduação stricto sensu em Arquivologia e a constituição da entidade nacional de ensino e pesquisa em Arquivologia, entres outros temas;
- O Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia se reunirá em outubro, em Salvador, Bahia, durante o V Congresso Nacional de Arquivologia para dar continuidade aos debates da reunião a ocorrer em junho;
- Instalação de três Grupos de Trabalho no âmbito do Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia para : a) Elaboração de documento-base para a CAPES sobre Mestrado Profissional em Arquivologia, b) Consolidação de documento-proposta para a criação Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, c) Estudo sobre harmonização dos currículos de Arquivologia, conforme recomendação da I REPARQ;
- Sugerir aos Cursos de Arquivologia e Departamentos de Ensino que atuem com vistas à ampliação da produção de teses, dissertações e outras pesquisas dos docentes de Arquivologia com temas arquivísticos de forma a ampliar a produção e difusão de conhecimento na área;
- Estimular a participação de docentes e pesquisadores na lista de discussão criada na I Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia
, bem como a divulgação de informações de interesse da área; - Defender, mediante a participação dos delegados docentes na I Conferência Nacional de Arquivos Públicos, a expansão quantitativa e qualitativa dos cursos de graduação e a criação da pós-graduação em Arquivologia com a inserção dessas duas propostas no documento final da Conferência;
- Ampliar de 01 para 03 o número de representantes dos cursos de Arquivologia no Conselho Nacional de Arquivos, sendo que a escolha desses representadas deverá ser realizada pelo Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia e, bposteriormente, pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, no âmbito das Reuniões Brasileiras de Ensino e Pesquisa em Arquivologia;
- Publicação uma história da arquivologia brasileira, considerando as teses e dissertações que têm sido desenvolvidas sobre o tema por vários pesquisadores brasileiros. A obra seria submetida pelos respectivos autores a uma editora, acompanhada de uma carta de recomendação da comissão organizadora e da comissão científica da II REPARQ.
Moções:
- Os participantes da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia apoiam a iniciativa da UNIRIO de criar o Mestrado Profissional em Gestão de Documentos e Arquivos.
- Os participantes da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia manifestam à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do MEC a importância de criação de Mestrados em Arquivologia no país, nos termos do Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020.
- Os participantes da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia manifestam a expectativa de que o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro seja contemplado com a ampliação de seus recursos humanos mediante concurso público bem como novas instalações físicas, condizentes com a sua missão institucional.
- Os participantes parabenizam a Comissão Organizadora da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia.
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2011
25 de nov. de 2010
Grupo EPARQ - anotações de Anna Szlejcher e José Maria Jardim
Caros coleg@s,
Com muito prazer difundo “O diálogo, "puxado" pelo Jardim, está ficando muito interessante. Concordo com ele em vários pontos..."
Cynthia Roncaglio
Intercambio de opiniones em grupoeparq com respeito:
A institucionalização da Arquivologia como campo científico.
Expreso una vez más mi admiración y mi compromiso con la posición científica de mi querido colega y amigo José Maria con respecto a la autonomía de la Archivología y destaco la claridad conceptual con la cual expresa su perspectiva epistemológica. Coincido y celebro la utilización del término ARQUIVOLOGIA (en español ARCHIVOLOGÍA) en lugar de Archivística para denominar a nuestra Ciencia o Disciplina.
“Sem perda das possibilidades de interlocução outros campos, não creio que o debate científico tenha que se organizar sob o manto epistemológico ou políticoinstitucional da Ciência da Informação, da História ou da Administração. A vocação para “ciência auxiliar” da História ou da Administração, ainda não completamente superada, seria agora substituída por uma Arquivologia auto-colonizada com recursos político-institucionais da Ciência da Informação? “
“Autonomia disciplinar nada tem a ver com insulamento até porque a Arquivologia é, desde o século XIX, marcadamente multidisciplinar e interdisciplinar.”
“..a Arquivologia estará fadada a uma condição periférica e de pouca visibilidade como campo científico, se a formação dos arquivistas não contar com a pós stricto sensu no próprio campo.”
“Supondo que a reversão dessa situação seja um projeto do campo arquivístico brasileiro, qual a pauta que se coloca? No mínimo, mais doutores no campo da Arquivologia. Isso significa mais profissionais pesquisando, difundindo conhecimento arquivístico e ocupando espaço nas estruturas de C & T.“Isso requer um trabalho árduo em termos de pesquisa e publicação, mas também político.”
José Maria Jardim
Um abraço,
Anna Szlejcher
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A continuación texto completo de José María Jardim.
Date: Fri, 19 Nov 2010 11:48:58 -0200
Subject: [grupoeparq] A institucionalização da Arquivologia como campo científico
From: jardimbr@gmail.com
Prezada Rosa e demais colegas,
Vivemos um momento especial para a Arquivologia no Brasil que sugere aos seus docentes e pesquisadores um esforço de institucionalização do campo como espaço científico. Ao meu ver, isso significa um investimento político e científico em mecanismos de institucionalização da Arquivologia mediante mecanismos tais como a Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, a busca pela pósgraduação strictu sensu na área e uma Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia.
Sem perda das possibilidades de interlocução outros campos, não creio que o debate científico na Arquivologia tenha que se organizar sob o manto epistemológico ou político-institucional da Ciência da Informação, da História ou da Administração. A vocação para “ciência auxiliar” da História ou da Administração, ainda não completamente superada, seria agora substituída por uma Arquivologia autocolonizada com recursos político-institucionais da Ciência da Informação?
Como pesquisador e professor de Arquivologia, ensino, pesquiso e difundo trabalhos na Ciência da Informação, mas não apenas na Ciência da Informação. Tenho mestrado e doutorado em Ciência da Informação porque reconheço diálogos possíveis e ricos entre esse campo e a Arquivologia, mas não pratico ou ensino Arquivologia como campo de aplicação da Ciência da Informação. Entre as ricas possibilidades de interlocução coma a Ciência da Informação e a subordinação da Arquivologia como sub-campo da CI há, no entanto, uma longa distância. Penso que um GT de Arquivologia no Enancib, apesar da importância desse evento, tende a consolidar ainda mais a visão - e talvez o projeto - da Arquivologia como sub-campo da Ciência da Informação. Autonomia disciplinar nada tem a ver com insulamento até porque a Arquivologia é, desde o século XIX, marcadamente multidisciplinar e interdisciplinar.
A esse respeito, retomo algumas considerações que partilhei com colegas no III Congresso Nacional de Arquivologia em 2008. Em anexo, envio a minha comunicação a respeito na I Reunião de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, realizada em junho deste ano, na Universidade de Brasília, cujos anais encontram-se em vias de publicação pelos colegas da Unb.
A perspectiva interdisciplinar da Arquivologia- para mim, muito clara - não é plenamente consolidada. Trata-se de uma vertente em construção que acolhe profissionais que dela partilham, tanto quanto é objeto de discordância de outros. Esse, aliás, é um dos embates do campo, expresso em três visões:
- a visão da Arquivologia com um campo autônomo, com bases consolidadas e, de certa forma, ciência auxiliar da História
- a visão da Arquivologia como uma disciplina que constitui uma sub-área da CI (uma visão que ganha espaço especialmente no Brasil, sem sequer maior veiculação internacional ou respaldo consistente na produção cientifica)
- a visão de Arquivologia com uma disciplina científica em permanente construção, dotada de autonomia, porém exercida (ou potencialmente) exercida em diversos aspectos mediante relações interdisciplinares com a História, a Administração, a Ciência da Informação, a Biblioteconomia, a Museologia, a Sociologia, etc. Essa é hoje a minha perspectiva.
Por que temos discutido tanto as relações interdisciplinares entre Arquivologia e Ciência da Informação no Brasil?
- A perspectiva interdisciplinar na produção de conhecimento é uma questão fortemente presente nas agendas de políticas de pesquisa, educação e inovação na contemporaneidade.
- A discussão da interdisciplinaridade da Arquivologia ganha proporções nos anos 90, num momento em que efetivamente o saber e o fazer arquivísticos se defrontam com novas possibilidades e desafios que impoem a interlocução com outras áreas. Um exemplo: os princípios da representação da informação, no cerne da C.I., são extremamente interessantes para refletirmos sobre a a descrição arquivística.
- Conforme o trabalho que desenvolvi inicialmente com a Profa. Odila Fonseca, posteriormente o livro da Profa. Odila e outros trabalhos da Profa. Georgete Medleg, essas interfaces que envolvem Arquivologia e CI ainda são muito tênues e escassas, nos dois campos.
- Por outro lado, cabe lembrar que muitas vezes a interdisciplinaridade é uma retórica sedutora que nem sempre se plasma em processos concretos envolvendo dois ou mais campos do conhecimento. O princípio da interdisciplinaridade é muito convidativo, mas o fazer interdisciplinar é extremamente complexo e sofisticado. No caso da Arquivologia e da CI, parece que falamos mais dessas possibilidades interdisciplinares do que efetivamente as praticamos. Efetivamente, essas relações ainda estão longe de serem “estreitas”.
Há indicadores que sugerem ser este debate muito freqüente no Brasil, especialmente no que se refere à interdisciplinaridade Arquivologia e CI. Nos países com maiores teores de produção de conhecimento em Arquivologia, esse não é um debate muito presente. Isso não legitima e nem desqualifica o debate que se trava aqui, evidentemente. No entanto, sabemos que em nenhum desses países os cientistas da informação, através de suas organizações, reivindicam a Arquivologia como sub-área da CI. E nem tampouco os pesquisadores e profissionais de Arquivologia o fazem em direção à Ciência da Informação.
Ideias mais freqüentes, presentes no caso brasileiro
- A Arquivologia é uma modalidade pragmática ou universo de aplicação de área de conhecimento denominada da "Ciência da Informação".
Essa perspectiva reduz a Arquivologia a um campo de ampliação da CI, passando ao largo dos elementos teóricos da Arquivologia. Ainda que dispositivos teóricos da CI possam (e devam!) ser aplicados num universo empírico arquivístico, isso não equivale necessariamente a uma relação de subordinação entre Arquivologia e CI. Aliás, a literatura das duas áreas não aponta nessa direção, embora essa retórica tenha bastante espaço. - A Arquivologia, junto com a Biblioteconomia e a Museologia se constituem na base da Ciência da Informação.
Ao menos em relação à Arquivologia, basta analisar a história da área e também da CI para verificar que essa afirmação é inconsistente. - A discussão da autonomia da Arquivologia é incompatível com o imperativo da sua interdisciplinaridade.
Autonomia e relações interdisciplinares não são categorias excludentes. Um campo de conhecimento pode manter relações interdisciplinares com diversas outras áreas sem que sua autonomia seja diluída. Autonomia não significa insulamento. - As distinções entre Arquivologia e Biblioteconomia seriam artificiais, expressando a “síntese” de “ Sistemas (tecnológicos) da Informação”.
Todos os recortes no campo científicos são artificiais. Não são resultados “naturais”, mas derivam de embates, convergências, divergências, interpretações e vários fatores históricos. Ainda assim, o reconhecimento de que as informações que são objeto da Arquivologia não são as mesmas que são objeto da Biblioteconomia e da CI, parecem fazer sentido. Isso não impede-nos de reconhecermos, em vários temas, zonas de convergência e uma agenda comum de interesses de investigação. Operar com essas possibilidades não significa reduzir as especificidades de um ou mais campos do conhecimento. - A Biblioteconomia e a Arquivística mantêm estreitas relações, no Brasil, por serem ofertadas por Departamentos de Ciência da Informação. Claro que o convívio de profissionais desses campos num mesmo recorte institucional como um Departamento de Ensino pode propiciar um ambiente favorável a relações entre as duas disciplinas, mas isso não é, por si só, um condicionante. O fundamental, porém, são as interlocuções na pesquisa, no ensino, no reconhecimento de singularidades e especificidades nos diálogos entre esses campos.
- Há um número considerável de dissertações e teses produzidas nos programas de pós-graduação em Ciência da Informação, com temáticas voltadas ou pelo menos relacionadas à Arquivística.
A ausência de um programa de Mestrado e Doutorado em Arquivologia levou, nos últimos 15 anos, a uma procura, por parte dos arquivistas, a programas de pós em CI. Essa demanda, em menor escala, também levou profissionais do campo arquivístico a pós-graduação em História, Administração, Educação, Engenharia de Produção etc. Em nenhum desses casos, essa procura derivou de sinais evidentes de uma perspectiva interdisciplinar na por parte desses programas. No caso da CI, só muito recentemente, ainda timidamente, alguns programas de pósgraduação incluem disciplinas sobre informação arquivística. Até hoje , salvo engano, não exista nenhum programa de pós em CI com uma linha de pesquisa voltada para a Arquivologia.
Perversamente, quanto mais a Arquivologia cresce academicamente no interior das instâncias institucionais da Ciência da Informação ou outras áreas, mais alimenta a CI e as demais áreas e torna invisível a Arquivologia no quadro das políticas públicas de C&T. Isso não significa evidentemente que, ao ampliarmos a oferta de pós stricto sensu em Arquivologia, nossos alunos sejam desestimulados a procurarem a pósgraduação na CI ou outros campos. A Arquivologia precisa, sim, de Mestres e Doutores em outras áreas porque é um campo interdisciplinar. No entanto, a Arquivologia estará fadada a uma condição periférica e de pouca visibilidade como campo científico, se a formação dos arquivistas não contar com a pós stricto sensu no próprio campo. Da mesma forma, se estimular uma cultura de pesquisa via outras instâncias político-acadêmicas sem criarmos e fortalecermos as nossas.
Supondo que a reversão dessa situação seja um projeto do campo arquivístico brasileiro, qual a pauta que se coloca? No mínimo, mais doutores no campo da Arquivologia. Isso significa mais profissionais pesquisando, difundindo conhecimento arquivístico e ocupando espaço nas estruturas de C & T. Isso requer um trabalho árduo em termos de pesquisa e publicação, mas também político. È mais do que necessário uma Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, a pós-graduação stricto sensu área e as reuniões anuais de pesquisa. Estamos trabalhando para isso, especialmente após a Reunião de Brasília. Todo esse esforço poderá, inclusive, reforçar diálogos mais profícuos da Arquivologia com outros campos de conhecimento, inclusive a Ciência da Informação.
Um abraço,
José Maria
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Em 18 de novembro de 2010 15:41, Rosa Zuleide Lima da Silva Silva
Prezados colegas
Participo desde 2008 do ENANCIB acho de extrema importância esse reconhecimento e defendo o ENANCIB como um espaço para que as pesquisas em arquivologia sejam apresentadas e divulgadas, uma vez que a maioria dos cursos de graduação de arquivologia estão ligados aos departamentos de ciência da informação e os professores vinculados a pós graduação também em Ciência da Informação.
Penso que deveria ser criado um GT para arquivos. gestão e políticas de informação. Como ainda não conclui meu doutorado, não tenho cacife para propor isso no espaço da ANCIB. No entanto, sei que Isa Freire (atual presidente), é uma pessoa aberta as questões da arquivologia, até porque leciona no nosso curso de graduação e verá isso com bons olhos.
Penso que é um dos caminhos para que a área apareça e seja reconhecida institucionalmente.
Profa. Rosa Zuleide
DCI/UFPB
Reproduzido de anexo enviado por Anna Szlejcher
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